E-Book, Portuguese, 240 Seiten
Storm Cinderela De Sangue
1. Auflage 2025
ISBN: 978-88-354-8194-2
Verlag: Tektime
Format: EPUB
Kopierschutz: 0 - No protection
E-Book, Portuguese, 240 Seiten
ISBN: 978-88-354-8194-2
Verlag: Tektime
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Como poderá a April salvar-se da sede de sangue e da vingança do Príncipe, sem pôr em perigo o delicado equilíbrio que rege a paz entre as várias raças?
Como poderá a Vane vingar-se daquela que ousou desafiá-lo e mentir para ele, sem ceder ao cheiro hipnótico do seu sangue?
Depois de séculos de lutas, finalmente a paz entre os vampiros e a Ordem da Cruz Ensanguentada parece saldada sob a orientação do Zachary Macross.
Todavia, teimam ainda algumas fações pouco propensas em aceitar as condições impostas pela Ordem. Dentre estes existem a casta nobre dos vampiros, chefiada pelo Príncipe Vane Vampire.
A April, futura herdeira da Macross Company, é apenas uma humana como o seu pai, mas decidida em fazer qualquer coisa para manter a paz entre os caçadores, os lobisomens e os vampiros. Infelizmente, porém, a sua humanidade a torna um alvo fácil para estas criaturas sobrenaturais e quando irá decidir de se introduzir furtivamente numa festa de baile de máscaras do Príncipe, graças a uma bruxaria que irá encobrir a sua natureza, as coisas irão precipitar-se drasticamente ao cair da Meia-noite.
Como poderá a April salvar-se da sede de sangue e da vingança do Príncipe, sem pôr em perigo o delicado equilíbrio que rege a paz entre as várias raças?
Como poderá a Vane vingar-se daquela que ousou desafiá-lo e mentir para ele, sem ceder ao cheiro hipnótico do seu sangue?
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23 Anos depois
APRIL
«Estão a zombar de nós», gritou furibundo e desagradado o Zack, atirando para cima da mesa a carta que recebera naquela manhã.
«Não sejas desconfiado», tentou sossegá-lo a Vera.
«Estás a brincar? Estes bastardos chegam aqui, na minha cidade, e dão-se a liberdade de fazer-se de arrogantes!»
«O Zack tem razão», o defendeu a esposa furiosa. «Sabes como chamam os lobisomens? Grosseirões! Mas acham-se de ser o quê?»
«Fanny, por favor...», suplicou a Vera que esperava numa sua ajuda.
A situação estava a sobreaquecer-se todos os dias cada vez mais e aquela que devia ser uma nova aliança com umas das fações vampiras mais poderosas e difíceis para se aproximar, estava a transformar-se num pesadelo em face do ódio recíproco incubado durante séculos.
«Os vampiros não esquecem», foram as únicas palavras que ela conseguira arrancar à Vane Vampire, chamado por todo o seu clã “O príncipe”.
«Foram uns tolos acreditando que seria um passeio ter que fazer com aquela que é considerada o escol puro-sangue da raça vampira, composta geralmente por aristocráticos de alta linhagem», intrometeu-se o Nicholas que uma vez fazia parte daquela fação onde todos o conheciam como “O Duque”.
«Nick, não te metas nisso, tu também! Sabes que era inevitável chegar a este ponto», alterou-se a Vera, que nos últimos vinte anos conseguira forjar a paz entre as raças e selar definitivamente a aliança com a Ordem da Cruz Ensanguentada.
Todavia teimavam ainda duas fações por unir: aquela aristocrática chefiada pelo Antigo e nobre Príncipe, e aquela dos insurgentes que não tencionavam deixar de alimentar-se de sangue humano ou subjugar-se ao controlo da Ordem, da qual não se fiavam por causa da guerra secular entre eles.
«E agora o que deveria fazer?», os interrompeu o Zack indicando nervosamente a carta.
«Trata-se de um convite. Não aceitá-lo seria uma notória declaração de guerra», esclareceu o Nick que conhecia bem a mentalidade da Vane.
«E aceitá-lo significaria lançar-se no covil das serpentes e correr o risco de sairmos dali mortos», gritou a Fanny espantada pelo facto de não conseguir proteger a sua família.
«Não creio que irão cometer um similar disparate. A Vane sabe que bastaria um movimento falso para ter no encalço toda a Confederação com lobisomens e Caçadores Bruxos incorporados... Aliás, a meu ver, se depois de todos estes anos de rejeições no que nos toca, agora decidiram aceitar no mínimo conhecer-nos, significa que existe um descontentamento no seio dos aristocráticos. Também a Vane precisa provavelmente desta aliança, mas esqueçam uma sua admissão. O orgulho e honra são as únicas coisas que contam no seio do seu grupo», constatou o Nick meditabundo. «Além de tudo, o convite é extensivo também a nós. Assim sendo não estarão sozinhos.»
«Vera, preciso de ti», cedeu o Zack achegando-se à sua mais estimada amiga, mas ela abaixou os olhos velados de tristeza e apartou-se.
«Sinto muito, Zack, mas eu não me farei presente. Tenho um avião que me espera e devo voltar urgentemente para Nova Iorque. Há alguém que precisa de mim... Todavia estará o Nick contigo. Ele conhece O Príncipe muito melhor do que a aminha pessoa», murmurou apenas a Vera, tentando conter o sofrimento.
«Percebo». Sabia que, quando a Vera não fazia referência a alguém em particular, referia-se objetivamente aos seus filhos.
“Não percebi em nenhuma outra ocasião o porquê devia haver todo este mistério em torno dos filhos da tia Vera” pensei correndo para me esconder com o fito de não ser apanhado a escutar sorrateiramente.
Pisguei-me descendo pelas escadas, dissimulando que tinha acabadinho de chegar da faculdade.
Fui lesto o suficiente, quando vi nas minhas costas os meus progenitores que saiam da biblioteca com o tio Nick a tia Vera.
Mal me viram, correram felizes ao meu encontro.
«April, meu bem, estás cada vez mais linda! Como vão os exames? Disse-me o teu pai que estás a ter dificuldades para superar aqueles de arqueometria», disse-me a tia Vera abraçando-me. Depois, abaixando a voz, acresceu: «E também aqueles sobre a legislação dos bens culturais.»
Percebi intempestivamente de ter tido uma intrusão mental, dado que tinha acabado de voltar da faculdade, onde tivera de fazer na segunda época o exame de “Legislação sobre os bens culturais” há apenas quarenta minutos.
À parte os meus colegas e o professor, não havia mais ninguém que sabia.
«Já agora... Se eu também pudesse ter apenas uma daquelas pilulas azuis de Grucho», respondeu irritada pelo meu cérebro lento e menos vocacionado a memorizar o que não me interessava.
«E tu o que sabes das pilulas de Grucho?», interveio prontamente o meu pai severo.
Ops! Não podia decerto dizer-lhe que a Elizabeth e o Leo tinham-me deixado entrar várias vezes sorrateiramente na Confederação de Sangue, lugar definido pelo meu pai como “País das Maravilhas e Magias”. Tinha assistido ali às prestações desportivas e combates sobrenaturais, frequentado fascinantes vampiros, poderosos lobisomens, curiosos híbridos, assistido às inumeráveis bruxarias do avô Ahmed e a tia Siobhan ou então às estrambóticas experiências científicas do vampiro mais desvairado e genial da Confederação, o Grucho, um sanguessuga que tinha exagerado com as pilulas azuis inventadas por ele capazes de aumentar sobremaneira as prestações intelectuais e mnemónicas de quem quer que seja.
Pelo muito que sabia, a minha tia Vera e a minha prima Elizabeth tinham-se diplomado graças àquela pilula que fizera memorizar a ambas num único dia todo o programa liceal humano.
Que sorte!
Eu também, aos doze anos, tentara tomar uma e por pouco teria consumado graças ao Grucho e ao meu primo Leo, mas alguém (a minha tia Siobhan, a mãe do Leo, quanto a mim) fizera assopradela à minha mãe que correra para me buscar na Confederação, desapropriando-me da famosa pilula e pondo-me em punição durante um mês.
A pior reprimenda da minha vida e a desilusão da minha mãe foram tão letais para o meu coração inseguro e à procura da sua aprovação, tanto mais que abandonei a ideia e tomei a decisão de me fiar só em mim mesma, dedicando-me mais.
Sem dúvida, depois de ter feito duas vezes o exame de arqueometria na segunda época e agora também de legislação sobre os bens culturais, o desejo daquela pilula azul tinha voltado prepotentemente na minha mente.
Além disso, era a mais velha do meu curso dado que tinha perdido dois anos em economia, antes de tomar a decisão de abandonar aquela faculdade que odiava e que tinha escolhido só para ajudar ao meu pai e tornar-me uma futura e merecida herdeira da Macross Company.
«Minha querida, a vida é tua e é justo que tu escolhas o caminho que amas mais. Não deves pensar em mim e na Companhia ou na Ordem da Cruz Ensanguentada. Se amas a arte e o restauro, abandona a economia e concentra-te na tua paixão», dissera-me um dia o meu pai, sempre atento aos meus desejos.
Era realmente felizarda e ter um pai tão amoroso e compreensivo (à parte quando se tratava de paixões amorosos com vampiros), mas com aqueles escassos resultados tinha o terror de desapontá-lo.
E agora o meu pai estava ali, à minha frente, com o olhar vagamente ameaçador, pronto para apanhar-me em falta.
«Falou-me disso há bocado o Leo», disse mentindo e virando-me em direção da minha mãe que dissimulou de não estar a recordar-se do dia em que me encontrara circundada por sete vampiros, dois híbridos e com aquela pilula na mão.
Não soubera de forma alguma o que tivesse contado concretamente ao meu pai, mas ao que parecia a verdade tinha sido camuflada também por ela.
«Agora temos que ir, Vera. Já entardeceu», interveio o meu tio Nick anuviado, com os olhos fixados no céu plúmbeo que estava a clarear e deixava filtrar os primeiros fracos raios de sol da tarde.
Ser um Antigo infelizmente não significava ser a prova da incineração e sabia o quão grave fosse aquele problema para os vampiros que não assumiam a BloodSky, uma pilula de sangue sintético que permitia a eles de viver também de dia e sobreviver sem beber sangue humano. Infelizmente os vampiros da estirpe Antiga como o Nick e a Vera eram imunes à BloodSky.
O meu tio, o homem mais bonito que eu jamais tivesse visto na minha vida (excluído o outro meu tio, o Blake, que no entanto o via raramente), veio ter comigo para me abraçar e para me saudar.
Muito embora o meu pai nutria muita confiança nele, todas as vezes que isto acontecia, podia sempre vislumbrar nos seus olhos uma certa apreensão: a sua criança humana nos braços de um dos vampiros mais fortes e poderosos do mundo.
Despreocupado com aquele medo e em adoração daquele tio com o olhar tão profundo e penetrante até para fazer perder e frustrar toda vontade, abracei-o por minha vez.
«Espero rever-te o mais depressa possível, tio. E manda cumprimentos à tia Tess e à Elizabeth.»
«Sem dúvida, pequena espiã mentirosa», sussurrou no meu ouvido de tal modo que só eu pudesse ouvi-lo.
A ideia que me tivesse apanhado em flagrante a escutar às escondidas e que soubesse sempre quando mentisse, deixou-me ruborizado até às orelhas.
Inútil esconder o meu embaraço dado que a minha pele, cândida como o leite e ligeiramente pontilhado de lentigens douradas,...




